domingo, 31 de outubro de 2010

Era uma vez.


Era aquele olhar que eu buscava. Sempre (me) busquei. Olhos, sempre amei. Amo o que são, o que trazem e o que revelam, eles, os olhos, essência, verdade e por que não fazer uso do velho clichê: janelas da alma. Teus olhos revelam-me teus sentimentos, estado de espírito, estado de graça, estadodeestar comigo. Teus olhos são espelho, reflexo, lugar.
EUVOCÊ

Um dia, porém, tudo mudou. Eles (me) mudaram. Seus olhos, cadê? Não, não mudaram de cor. Perderam a cor: tornaram-se opacos. Não, já não me iluminam. A luz cedeu lugar ao vazio. Eles, teus olhos, já não me trazem vida: tornam difícil respirar. E o meu espelho, cadê? Quebrou-se. Não, já não me encontro em você. Meus olhos, cadê? Está tudo tão distante. Distantedeestar comigo. Teus olhos eram espelho, reflexo e lugar.

EU

Ficaram pesados. Sabiam até mentir, teus olhos. Mas, por amá-los, perdoava-os. Ficaram ainda mais pesados e cada vez mais se diminuíam e me diminuíam e se acabavam e me acabavam. Teus olhos se fecharam para mim. Não me reconheceram. E o amor, cadê? Cada vez mais se e me e nos entristecia. Há coisas que desabrocham e se findam no mesmo lugar. Eis nossa história. Fizemos o mesmo caminho, mas desta vez eu não reparava no quanto suas mãos eram bonitas. Desta vez, nem aquele cenário bucólico onde tudo começou e terminou era bonito. O beijo não era doce: era de despedida. E eu percebi que a mesma voz que conforta, machuca. O mesmo abraço que acalenta, abandona. O mesmo olhar que te ama, admira e acompanha, dilacera. Morre, tudo morre. Como diz o poeta: “a mesma mão que afaga, apedreja". Sim, tuas mãos estavam frias. Aquela mesma mão que pegou na minha para guiar meus passos e me levar, mudou o caminho. E os momentos alegres, mágicos e plenos que juntos vivemos foram esmagados naquela tarde e naquela mentira e naquele cenário bucólico onde ainda estamos. Sim, estamos. E porque, na verdade, seus olhos sempre viveram em mim.

                                               LIBERDADE DESTINO

sábado, 16 de outubro de 2010

Vem andar comigo...


E porque hoje eu acordei, me olhei no espelho e me reconheci. Hoje eu reencontrei o mundo do qual havia me esquecido. Hoje eu reencontrei meus sonhos. Hoje eu senti de novo o gosto doce e alegre da vida e da alma, minha vida, minha alma. Hoje eu reencontrei a paz, a luz e o sorriso que me roubara. Hoje eu me libertei.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Reparando você.


Você se aproxima e eu reparo na cor da sua camiseta. Eu amo todas as suas cores, mas a vermelha é tão você. Sua camiseta vermelha continua sangrando em mim. É gostoso. Ela me seduz e me tortura e morde e sangra essa língua que, não podendo dizer, se cala. Você se aproxima e eu me lembro de como amo o teu jeito de andar.  Como diria Djavan: Tudo é tão meu, quando você vem se chegando de um modo só seu. Sim, você se aproxima e eu vou reparando e lembrando e amando e reafirmando esse amor. Você vem chegando e agora eu já me vejo ali, refletida no teu olhar, o meu lugar. Seus olhos se aproximam, aos poucos, até os meus se fecharem para poder vê-los e senti-los e amá-los melhor. Fecho os meus olhos e reparo no conforto do teu abraço, na graça, luz e leveza dos teus movimentos, que me levam. Reparo nesse teu perfume e em tudo que o não sei dizer. Só sentir. Você diz algo e reparo, então, na flexibilidade da sua boca macia e que eu amo. Eu amo brincar nos teus contornos e amo também quando o vento movimenta o teu cabelo. Amo as tuas mãos, embora eu não saiba o que fazer com as minhas quando estou com você. Você se aproxima e tudo acontece. Você existe.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Só quem sabe...

... do meu amor poderá entender essa dor. Dor que aperta e sufoca e rasga a garganta, como engolir uma faca que vai parar no coração. Doem os olhos, que se fecham, pra poder olhar lá dentro e ver que tudo dói, tudo.


 Doloridas lágrimas que queimam a face, rolando, carregadas, dilaceram, até molhar um pouco dessa boca seca de dor.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

SE LIBERTAR!


Sim, vai desabar água. Pra lavar o que tem que limpar. Pra levar o que tem que ser levado. Hoje e só por hoje.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Como querer Djavaniar...

... o que há de bom!


E só!

domingo, 22 de agosto de 2010

Estranhamento.


 Os olhos devem acompanhar os passos, não ultrapassá-los. Futuro, destino, mistério. Surpresa.

domingo, 1 de agosto de 2010

Meu ser.


(texto em construção)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Carta ao meu amor.

Não sei. Não sei se quero. Não sei se espero ou me desespero. Não sei se corro de você ou pra você. Não sei se te chamo ou se te evito. Não sei. Não sei se o amor será suficiente para seguirmos em frente. E porque não importa se o teu abraço me conforta, se você não for mais o meu lugar. Se essa mesma voz que diz que me ama, diz "não" a uma atitude sensata. Não importa se teus olhos me trazem paz, se há uma atitude/postura sua que me traz angústia. Não importa.

O que eu sei é que você está me perdendo. A cada vez que não quer me entender, a cada vez que me faz sofrer. Não sei se você ainda se preocupa com o que eu sinto, com o que preciso, se sabe me cuidar, me amar, me fazer feliz. Eu ainda te amo, disso eu sei. Do mais, estou tão confusa. Esperemos que o tempo traga a resposta. Sim, o que é pra ser nosso está guardado.

Por isso eu escrevo. Pra dizer que, se um dia você acordar e não me encontrar, é porque eu terei partido - estarei longe e inacessível - levando um amor incondicional, mas que você não soube reconhecer - em termos de abrir mão de algo por mim. De qualquer forma, esse amor é seu - guarde-o, ainda que não cultive-o. Lembre-se sempre de que um dia eu te amei mais que tudo.




Do mais, eu não sei. Não sei se sento e te espero. Talvez eu tenha mesmo que ir. E neste dia, será tarde demais para você reanalisar suas escolhas.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sem vida, sem cor, sem você.

Não, hoje a vida não tem cor. Tudo é pálido, frio e vazio. Não vejo o seu rosto, está tudo muito escuro. Não vejo o meu rosto. Meu espelho, cadê? Sim, sei que essa nuvem cinza é passageira, e porque o Sol sempre volta a brilhar dentro e fora de mim. Sim, eu sei de tudo isso, só não sei mais de você. Quem é você? Preciso tanto te reencontrar. Preciso tanto me reencontrar. Preciso tanto de você. Amor, eis a luz da vida. Por isso hoje está escuro. O amor, cadê? Preciso tanto reencontrá-lo.Vou vestir minhas próprias cores, vou me amar mesmo sem você, vou viver mesmo sem você. Vou me completar, vou comprar outro espelho. Vou seguir a luz, reencontrar meu Sol, fazer dessa nuvem cinza um falso algodão doce. E enterrá-lo, definitivamente. Quero uma vida verdadeiramente doce. Quero o maior amor do mundo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Desfilando a vida, as cores e você.


Porque todas essas cores não me confundem. Todas essas cores imersas no colorido infinito da alma me encontram, e eu encontro, as cores, você, me acertam, me pintam. As cores, você. O seu amor. Todas essas cores dançam no colorido infinito da alma. As cores não têm forma, nem tamanho, são imensuráveis, são como o amor, cores frias, cores quentes, amor quente, não-frio. As cores estão e precisam estar intrínsecas: O laranja só é laranja porque o vernelho e o amarelo se encontraram e se amaram e se fundiram nesse infinito. Assim como a alma, minha alma, que encontrou a sua e ganhou novas cores - num colorido que não sei descrever. Minha alma, ao encontrar a tua, se permitiu e ME permitiu amar - numa profundidade que não sei descrever. Almas luminosas que se encontraram e se amaram e se fundiram, numa explosão de cores que tornou e torna a vida mais bela. Numa explosão de amor. Suas cores vivem em mim. Suas cores belas me encontraram. Suas cores belas, eu as encontrei. E a vida, o mundo, a alma, tudo se fez mais belo. Amo viver suas cores. Amo viver você.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

E tantas águas já rolaram...

... desde que... Enfim,


 quero recortar outras verdades mergulhadas em mim.

domingo, 4 de abril de 2010

BLOG TEMPORARIAMENTE (OU NÃO) DESATIVADO.



Não, não sei se é definitivo. Não sei.

No fundo, esse silêncio é amor.

segunda-feira, 29 de março de 2010

E quem um dia irá dizer...




E o que isso significa? Traço ou distração? Tensão ou distensão? Eu? Você? Nem eu sei. As respostas não estão aqui. Talvez nos olhos, nas mãos. Talvez no abraço. Talvez em nós. E quem somos nós? Verdade ou insanidade? Vazio ou plenitude? Não, você não encontrará as respostas. E nem será capaz de formulá-las. Talvez num outro plano. Talvez num outro dia. Talvez se pensássemos juntos. Talvez seja amor. E o que é o amor? Não há quem possa responder. Por isso, deixo que ele transborde e me (e nos) faça sê-lo, sem que obrigatoriamente eu precise reportá-lo nesse pedaço de papel. Nessa tela. Em qualquer outro lugar. E porque sentimentos assim transcendem qualquer definição. Entretanto, ao tentar explicá-los, ao escrever sobre eles, a alma se faz maior. A alma de quem escreve. A alma de quem lê. Maior para a alegria de quem se encontrou nesse amor. Maior para a dor de quem ainda está perdido - procurando por ele. No entanto, hoje eu não vou falar de amor. Mas posso lamentar, talvez, a forma superficial com que muitas pessoas vêem o amor. Falam de amor. E, principalmente, as formas como as pessoas amam. O que eu tenho com isso? Nada. Mas é que os amores de hoje em dia são cada vez mais incertos e equivocados. Isso porque as pessoas vêem o amor como um complemento: "faz parte da vida". Não. O amor não faz parte da vida: ele é a vida. A base, a essência. O sentido. A dádiva.
E hoje, mesmo não sendo minha intenção falar/continuar falando de amor, quero agora contemplar suas formas. Suas cores. Formas e cores do nosso amor: que tanto transcende essa superficialidade toda que habita o mundo e alguns corações. Transcende em termos de profundidade: tanto que quanto mais mergulhamos, mais descobrimos essa base-essência-sentido-dádiva. Você me mostra e eu te mostro o amor em sua forma mais linda e pura. De verdade. Vivenciamos isso. E quem compreenderá? Talvez um dia, num outro plano. Talvez na vida como um todo. E o que é a vida? Vida que pulsa no peito, respirar das flores do campo. Flores que você colheu. E me deu. Deu-me para que eu enfeitasse meus cabelos. Que surpresa, as flores. Sim, elas são lindas. E eu só as percebi quando você chegou.

domingo, 21 de março de 2010

Ser amor.


Alma sempre limpa...  Paz...  Água naturalmente fria que os céus derramam em mim... e em nós... Liberdade... Amor!

E como amamos...

Missa de Sétimo Dia


PLAFT! - Quem te mandou inventar essa história?

No chão, um mar repugnante de papéis picados - tanto que nem o vento quer levar.

PLAFT! - Deste livro, não suporto o título, a cor, a textura e, principalmente, o conteúdo.

No chão, ela engole os resquícios dessa história medíocre. Dentro dela, os papéis apodrecem. A "história" apodrece. Ela apodrece. A-bo-mi-na-vel-men-te apodrece e desce e cai e escorrega nas profundezas sujas como sua existência. Sombra, escorregue para qualquer lugar longe de mim, de nós e das partes boas do mundo. Contente-se em estragar seu mundo, escorra-se do meu. Eu não te quero aqui. Não te quero em parte alguma. Pare, pare de me observar com esses olhos fundos e vazados. Pare de se fingir de Sol pra dizer que transcende. Pra dizer que é amor. Você é sombra, escuridão que paira(va) nas partes boas do mundo pra derramar sua sujeira. Fantasma dissimulado de mãos mal-acabadas, rasgue-se, despregue-se, descole-se, recorte-se de mim, de nós e do mundo inteiro.

PLAFT! - Ela ainda tentou cuspir alguma coisa, mas engasgou-se com a própria podridão.

No chão, ela não está vestida. Nem nua. Ela não tem forma: é só sombra. Mesmo assim:

PLAFT! - Ela não tem rosto, mas a literatura insiste em esbofeteá-la para vomitar meu desprezo pelas partes ruins do mundo. Por isso,  jogo agora a última pá de terra nesse mal-estar todo. É preciso tampar todas as frestas pelas quais essa escuridão tente passar. Tamparei com meu amor. Porém, se as mãos mal-acabadas ressurgirem das terras - que, assim como o vento, teve asco - talvez o fogo se manifeste e aqueça sua existência equivocada, limpando o mundo do mais ínfimo resquício que tente resistir.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Folhas Secas...



Aquieta-te as mãos. Não a procure. Não, não revire essa bagunça. O vento levará as folhas secas. Deixe-a ir. Não se desespere, espere. Espere a primavera. Deixe o Sol entrar. Desgrude da parede o rosto emoldurado, desgrude dos lençóis o perfume impregnado, desgrude da pele as carícias de outrora, mande tudo embora, enxugue dos lábios o nome dela. Enxugue dos lábios os beijos dela. Enxugue o vermelho que, por ela, seu coração sangrou. Por favor, não chore. Nem deixe a porta entreaberta. Não a espere. Espere a primavera. O tempo cura a saudade.
Não, não a procure em todos os rostos. Não a ouça em todo canto.
Não a procure ao acordar ou dormir, aquieta-te as mãos. Você não sabe, mas eu sempre as seguro.


Vamos, dê-me sua mão.Venha, vamos procurá-la. Não, não podemos deixar essa bagunça. É preciso varrer as folhas secas que o vento não levou. Não espere a primavera, não a deixe ir, se desespere, não espere ela partir. As paredes estão nuas: onde estão os quadros? Sua cama está nua: o lençol perfumado, cadê? Eu estou nu e me acaricio com as mãos dela. Meus lábios balbuciam seu nome. Meus lábios procuram seus beijos. Por ela, meu coração pulsa. Por ela, meu coração chora. Minha porta está ali, entreaberta. Eu a espero. Desde a primavera. O tempo aumenta a saudade.
Sim, ela está em todos os rostos e em todas as vozes. Em todas as primaveras.
Vamos, dê-me sua mão. Viu só como ela está aqui? Você não sabe, mas ela sempre esteve.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Será?


                         Só o rosto é indecende. Do pescoço para baixo, podia-se andar nu.

[Nelson Rodrigues]

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Rosto Atrás do Rosto - Caio Fernando Abreu

Então ele viu o outro rosto. E era lindo, o outro rosto. Ele ficou olhando, encantado com tanta beleza. Mas o outro rosto não se movia. Era tão bonito o outro que ele não resistiu à tentação de tocá-lo. Talvez não devesse, pensou. Quando pensou, já era tarde demais. Tinha estendido a mão para tocar devagarinho na pele do outro rosto. Deslizou as pontas dos dedos pela pele macia do outro rosto. O outro rosto não se movia.
Tão bonito, o outro rosto sob seus olhos e tão macia a pele do outro rosto sob seus dedos, que num impulso aproximou ainda mais seu próprio rosto. Tão próximo agora que conseguia sentir seu próprio hálito, como um vento miúdo fazendo esvoaçar os cabelos finos, perfumados, da cabeça do outro rosto. Mas o outro rosto não se movia.
Com toda a suavidade que era capaz, e era muita, tomou entre as mãos o outro rosto e foi aproximando sua boca da boca do outro rosto. Até seus lábios tocarem nos lábios do outro rosto, à espera que a saliva da própria boca umedecesse também a boca daquele outro rosto. Com a ponta da língua, tentou abrir lentamente uma brecha entre os lábios do outro rosto. Os lábios do outro rosto estavam secos e não se abriam. E o outro rosto continuava sem se mover.
Mordeu então a boca do outro rosto. Primeiro de leve, depois mais forte. Cada vez mais faminto, arrancando pedaços de uma maça vermelha. Mordeu os lábios, o queixo, e também as faces e o nariz e os olhos do outro rosto. Com doçura, com paixão, com ansiedade e fúria. Mas o outro rosto não se movia.
Da mesma forma como tinha aproximado do seu o outro rosto, afastou-o com as duas mãos iradas. Uma das mãos segurou com força os cabelos finos, perfumados, enquanto a outra erguia-se para esbofeteá-lo uma, duas, várias vezes. Um fio de sangue escorreu do canto da boca do outro rosto. Que mesmo assim, não se movia.
Então apanhou a navalha que trazia no bolso. Um click seco libertou a lâmina. E num golpe veloz, num único gesto, com todo ódio que era capaz, e era muito, cortou a pele macia do outro rosto. E o outro rosto, lavado de sangue, ainda assim não se movia.
Então apanhou a pedra que trazia no bolso. Ergueu-a no ar e com um golpe duro bateu na boca do outro rosto, para quebrar-lhe os dentes. Os cacos escorreram pelos cantos da boca, pedras num rio de sangue. Cortado, os dentes quebrados: o outro rosto não se movia.
Então apanhou o estilete agudo que trazia no bolso. E com um golpe preciso, furou os dois olhos do outro rosto. Cortado, os dentes quebrados, olhos vazados: e não - o outro rosto não se movia.
Afastou o próprio rosto e contemplou novamente o outro rosto. Embora destruído, o que restava do outro rosto continuava belo, e ainda imóvel, e também indecifrável. Então percebeu: o outro rosto não era um rosto vivo. O outro rosto era uma máscara morta sobre um outro rosto vivo. Estendeu as duas mãos e arrancou a máscara do outro rosto.
Por trás da máscara, por baixo do outro rosto estava o rosto dele mesmo. Inteiro e sem ferimento algum, o rosto dele mesmo. E era lindo, o próprio rosto vivo por trás da máscara morta do outro rosto. Ele ficou olhando o próprio rosto. Ele estendeu as mãos e tocou o próprio rosto com todo carinho - e era muito, esse carinho - que era capaz.
Foi então que o próprio rosto - que não era o outro rosto nem o rosto de outro, mas sim o próprio rosto vivo por trás da máscara morta do outro rosto - finalmente começou a se mover. E disse:
                                                                                         O ESTADO DE S. PAULO, 22/10/1986

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ai!



Almas intrinsecamente ligadas, eis o que somos:

Amor.

Corpos tão juntos
              que já não se sabe
onde começa um
           e termina o outro,
    além da eternidade:

Amor.

Amor, flor do infinito
Corpo e alma no infinito
Amor pra florescer

[e colorir a alma...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Não dela.



(e vento...

Os cachos que caem por sobre as conchas do cais
são sonhos
são arte
são parte
de mim

Os sonhos que surgem das àguas claras da alma
são sóis clareando infindas
partes
de mim

A arte que é sonho
alma
sol
e
infinito
nas conchas dos cachos infindos
revelou-se
e

                                                                           PAUSA

A poesia foi guardada nas mãos de veludo
(Segredo)
Mãos fizeram conchas para ocultar
a poesia
da outra que se aproxima:
sem cachos, sem arte e sem Sol

Amores corcundos
e
Conversas flácidas
sobem
                        degraus
                                       tentando
                                                   alcançá-lo


Ele, que no meu cais repousa
Ele, que só meu cais revela
 Ele, que é parte de mim
[E não dela.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Destino.


Pés descalços que tocam o chão, descoberta:
Este é o seu lugar
Verdade dos olhos que tocam a alma, descoberta:
Ele é o Seu Lugar


O tempo passa e tudo ali é tão
Destino
Sim, o tempo passa e tão
do
lo
ro
sa
men
te
tão de REPENTE
Ela teve que partir


Ela se foi, a alma ficou
A alma e os passos impressos
No chão, na escada, no verde do jardim
Os passos e a voz ecoada
Nas paredes da sala e nas paredes da alma


Mas alma não tem parede - Alma transcende
Portanto, voz ecoada no transcender da alma
- Ela descobriu.

 
A voz, os passos, a alma
- Até as mãos ficaram ali
Na maçaneta da porta, impressas
Segurando outras, imersas
Em termos de energia

 
Destino, Reencontro
Passos que REconduzem à arte
Passos luminosos
Alma luminosa
                                                                            

De volta ao lugar de onde nunca saiu
E porque lá seu coração sempre pulsou
- Ela descobriu.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sur la table.


Fevereiro deu as caras há quase 72 horas e eu nem tive tempo de escrever sobre as cores e sabores da minha segunda-feira. Pois bem, começarei da voz familiar me acordando às 6h da madrugada. Era a voz da minha avó - uma vez que a música que escolhi como alarme do meu celular me deu ainda mais vontade de dormir. Não, mas eu não demorei a despertar - era um dia de encontros e reencontros - logo irão entender. Era o início de uma nova rotina, horários, espaços, rostos e, principalmente, novas-velhas saudades. Saudades que irrevogavelmente afirmam: Valeu a pena. Cada passo no caminho, cada minuto vivido: tudo teve um propósito tão luminoso que comprovou ainda mais a incalculável sabedoria do tempo. Mas voltemos às 6h, quando acordei com significativa disposição para o primeiro dia na nova faculdade. Acordar e estudar Letras, que delícia. Nada se compara a acordar e já fazer o que gosta - o dia começa bem e todo o resto segue nesse ritmo positivo. Somente o trânsito tem a capacidade de me cutucar o humor, mas cheguei a tempo - embora já houvessem vários bumbuns acomodados nos assentos e várias mãos ansiosas folheando cadernos em branco, quando entrei. Meus olhos disseram "Bom dia" e todos os outros me acompanharam até a cadeira que intuitivamente escolhi. Olhos curiosos - sim, os meus também são - afinal, estas serão as pessoas com as quais compartilharei todas as minhas manhãs nos dias úteis. Ah, descobri que sou a única Carol da turma - milagre! Ainda não decorei o nome de todos, mas já me sinto à vontade com eles - é isso que importa. Quadro de professores inteiramente feminino. Portanto, quadro de professoras. O pão de queijo da cantina é muito bom, mas não consigo comer sozinha. A biblioteca deles tem importantes obras rodriguianas, isso é essencial. Enfim - 11h40- hora de ir. Fecha o zíper da mochila - dá um tchau geral - corre pro ponto de ônibus - sobe no ônibus - procura o cartão - se equilibra pra não cair - tenta comer uma maçã - desce na rua tal - corre pro trabalho - dá um hello geral - corre pro banheiro - troca de roupa - respira - vai tomar um copo d'água - respira - senta na devida mesa - toca o telefone - "Cultura Inglesa, Carolina, Boa tarde!" - Ufa! - Enfim, 12h. Passa o dia. Sim, já são 18h. Agora é  ir pra casa e descansar, certo? Errado. Preciso ir também ao primeiro dia de aula da minha ex-faculdade, rever os tão queridos amigos e professores. Aliás, professoras - só tem mulher também! Nossa, e quanta gente - 19h. Não encontrei ninguém da turma por enquanto. Algumas coisas mudaram - a catraca é digital, por exemplo. Mas isso é o de menos. Ao entrar, encontro uma mocinha perdida. Enquanto a acompanho até o terceiro andar do terceiro prédio, me vejo em vários pedacinhos daquele lugar. Há um ano, o espelho grandão do banheiro refletia a mesma Carol em termos de "ser-pensar-agir", mas o reflexo de hoje tem um brilho diferente, um "ser-pensar-agir" mais pleno e profundo. Enfim, caminhei até a sala de aula. A luz estava acesa, mas ainda não havia ninguém. Pensei em escrever frases em francês na lousa, como costumava fazer - mas não encontrei giz. Deitei na mesa do professor - que é mesmo muito grande - para sentir melhor a energia daquele lugar. Meu 2009 foi mesmo muito intenso - sinto que vivi dez anos em um. E não, eu não pratico o desapego. Sempre achei muito doloroso ter que abrir mão de algumas coisas por outras. Mas é assim que a alma cresce. É assim que a vida segue. Eu descobri. E com essas reflexões, levantei para aguardar os amigos que logo chegaram para novas risadas, conversas e tudo. Foram as duas últimas aulas que assisti - por enquanto - e porque voltarei sempre que bater saudade e continuarei participando da semana de letras, afinal, laços afetivos não se perdem no tempo e/ou espaço: os de verdade se tornam eternos e dispensam a tão absurda "prática do desapego". Eu descobri.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ame.



Hoje, 29-01... Creio que é a última vez que escrevo neste mês de janeiro. Não, isso não quer dizer nada. Mas é que lembrando janeiro, recordo-me da forma inefável como meu 2010 surgiu. Sim, eu sei que todo ano traz consigo uma energia e um brilho todo especial, mas é que ultimamente tenho reparado melhor nas mudanças pelas quais minha vida tem passado de um outono para o outro. Em termos de voz interior, por exemplo - vozes que se renovam e ME renovam ao despertar de cada dia, orientando-me sempre às melhores escolhas e decisões. Sinto que  permaneço firme na travessia - enquanto muitas águas rolam por baixo da minha ponte. A verdade é que eu não lamento se algum vendaval quiser desequilibrar meus passos na tentativa de que eu pare no meio do caminho ou até mesmo volte o pedaço que já andei. Alguns tentaram, mas em vão. Não reparo negatividades. Reparo somente coisas boas. Reparo na riqueza do "aprender", do "descobrir", do "encontrar", do "construir, do "realizar". E reparo, principalmente, na riqueza do "amar". A voz do amor é sempre a que melhor conduz. É o amor pela vida que a faz ser bela. É o amor por nós mesmos que permite que a nossa beleza se mostre e transcenda. É o amor pelo próximo que nos faz ver o quanto aquela alma é linda e o quanto a nossa também se engrandece com esse amor. É o amor por Deus que nos permite sentir o quanto ele nos ama infinitamente. Enfim, é o AMOR que guia os meus passos. Sempre. Amor que transforma em brisa qualquer vendaval que me quiser levar.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cor de amor(a)


Cor de amora era a boca
dela
Cor de amor era aquela
boca
Amora que gosta o beijo
Amor que o permite

Mas quem disse que o beijo
é de amora?
Quem disse que é amora
a cor do batom?
Seu beijo tem gosto de amor
que tem gosto
dela
que tem gosto
dele
E seu batom é cor de
boca
que tem cor de maçã mordida
e ponto.

Mordidos ficam os lábios
Enquanto ela espera
ansiosa por vê-lo
Mordidos (e mais ainda) continuam os lábios
Quando ele chega
ansioso por ela

E então esses lábios derramam
Um monte de beijos e
frases de amor
Que percorrem


corpo


           e alma


e cama


             e sonho




e céu

             
  e fim.


Esse é o melhor sabor: eles descobriram, enfim!


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ele, o meu amor


De tão singular
torna-se intraduzível aquele olhar
Em termos de intensidade
Em termos de verdade
Em termos de amor

De tão lindo
torna-se inenarrável o que ele me causa
Em termos de plenitude
Em termos de saudade
Em termos de amar

E de tanto amá-lo
torna-se dele o meu coração
Em termos de entrega
Em termos de eternidade
Em termos de destino

E em termos de tudo o que é alma
a minha se ilumina quando com ele
Na descoberta de uma felicidade
que só a gente sabe se dar

E porque sua mão me leva
sempre e cada vez mais
ao mais lindo dos romances
Em termos de sonho


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dar não é fazer amor - Luis Fernando Veríssimo


"Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar...
Experimente ser amado..."

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Veríssimo arrasa mesmo!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Caliente




Quente, tudo MUITO quente. Quente o meu quarto, o portão, o asfalto. Quente a cidade, os carros, o ar. Respiremos o calor: ele, que insuportavelmente vai derretendo minha simpatia pelo verão – a estação luminosa! Apreço mesmo eu tenho pelo inverno – a estação elegante! Mesmo congelando, por este minha simpatia não esfria. O verão já está dentro de mim - quente é minha alma e coração - e eu não preciso que ele frite os lindos fios dos meus cabelos, nem me deixe marcas de alças pelo corpo, nem me cause câncer de pele. Isso porque protetor solar fator 500 não bloqueia os males do calor rio-pretense: Deus do céu! Calor é bom pra quem mora no Rio, embora aquela cidade já seja iluminada - sempre e em qualquer estação. Ah, sem falar nos milhares de pernilongos que se manifestam (e ME infestam) nessa época do ano e encontram no meu sangue doce o banquete que pediram a Deus. Sem contar também esse horário de VERÃO que prolonga interminavelmente essa tortura e torna ainda mais curta minha noite tão amada e esperada. Preciso de água, MUITA água - e não só pra beber: pra me enfiar debaixo. Não, não tenho piscina - nem banheira - em casa. Mas se eu tivesse, teria que ser na sombra - de nada adianta o corpo todo feliz e a cabeça lá, torrando. Mas enfim, deixemos isso. A vida é bela e sobreviveremos. Espero!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Profundidades - (breve) ensaio sobre a fossa

Dói, rasga, dilacera. Pulsa. Ela: a saudade. Ele: o amor. Eu: a obsessão. Gosto disso. Na verdade, gosto de profundidades: almas fundas, amores fundos e até dores fundas, por que não? E não me refiro à dores físicas: mas dores da alma (que às vezes doem quase que fisicamente). Confesso que adoro uma pitada de masoquismo. Por exemplo: você precisa urgentemente aliviar as dores da alma e acha que a melhor solução é desabafar com as amigas e/ou "dar umas voltinhas" com as mesmas para se distrair? Doce engano. Logo você descobrirá que os pensamentos suicidas não te abandonaram e estão logo ali, no seu quarto - deitados na sua cama. Você descobre, então, que a melhor saída é curtir a fossa. Isso, você descobriu! Agora sorria para seus familiares como se tudo não pudesse estar melhor e se tranque num lugar onde ninguém a interrompa, de preferência seu quarto. Sofro mais e melhor quando não compartilho com ninguém essa dor. De antemão, coloque aquela música que tanto te deprime. Em seguida, fique nua. Sim, se liberte de tudo o que for externo a você. Tudo o que precisas agora é colocar pra fora: inclusive as roupas - até porque elas guardam energia própria. Descubra o perfume daquele pelo qual você sofre e impregne-se dele. Procure também uma foto do mesmo e beije-o, beije-o muito. Ou simplesmente contemple-o. Isso aumenta a dor e a saudade. Não beba. Não será a bebida que expulsará as idéias suicidas de cima da sua cama. Procure um espelho, de preferência grande. Olhe no mais fundo dos próprios olhos, até que tudo fique embaçado: e porque águas inundam esse infinito reluzente. Apague a luz, mas não fique às cegas: deixe ao menos um abajur aceso. Agora, pense em tudo o que te causa esse vácuo imenso e chore. Chore muito. Um choro que lave a alma, levando embora um pouco dessa dor quase palpável. Caia sobre os joelhos e deixe que transborde o pranto. Mergulhe a cabeça no travesseiro e grite. Grite muito. Um grito que extravase a alma, levando embora um pouco desse desespero quase desumano. Às vezes é preciso desmoronarmos para depois reconstruirmo-nos. E toda essa "fossa" pode ser o bisturi que, embora rasgue, faz toda a diferença numa cirurgia onde um problema é extirpado. Mas sim, há uma hora em que devemos/precisamos enxugar as lágrimas. Então vá lavar o rosto e caminhar na represa - já que não temos praia (mas eu adooro nossa represa!) - respirando e absorvendo toda aquela energia bucólica, que revitaliza. Faz bem. Só não esqueça de se vestir novamente antes de sair de casa, pois a lei ainda não permite que caminhemos nus (ou seja, verdadeiramente livres) pelas ruas. Uma pena! Amo a liberdade e não vejo libidinosidade alguma nessa minha sugestão. (pausa irônica) Mas esse é um assunto pra ooutro post. E quanto a curtir fossa, confesso que nem sempre é a melhor saída. Às vezes, a solução é escrever.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Retratos e Rabiscos

      Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo,  e  esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
[Fernando Pessoa]



"Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia..." Pois é. Por isso essa letra me incomoda tanto: porque essa verdade me incomoda. A verdade de que "tudo passa, tudo sempre passará..." Gostaria eu que só as coisas ruins passassem. Aliás, queria ter um controle mágico que me transportasse, vez ou outra, àqueles momentos dos quais sinto tanta falta. Momentos que estão lá: dispersos num passado cada vez mais distante. Acontece que tenho saudade de tudo e a todo instante. Saudade do que aconteceu ontem e até do que eu ainda nem vivi. Isso porque tanto quanto saudosista, sou ansiosa. Anseio novas etapas, fases, experiências, vínculos, encontros, situações. Entretanto, amo demais minha atual fase e as pessoas com as quais convivo atualmente, entre outros. Gosto de extremidades: sinto falta daquela criança de joelhos ralados que comia dúzias de Kinder Ovo e dançava a Macarena, mas anseio a mulher de 30 anos com a qual o(s) filho(s) se parecerá (ão) tanto, será?! Anseio meu curso superior de Arte Dramática, mas sinto uma super falta do meu primeiro ano de Letras. Também gosto daqueles lugares que guardam um pouco de mim e/ou de alguém que amo: a casa na qual passei minha infância, a escola na qual passei minha infância, o palco onde apresentei o primeiro "exercício teatral" dirigido profissionalmente. Acredito que todos os momentos  ficam impressos dentro de nós e nos lugares onde foram vivenciados. Eu sinto essa energia. Também amo "recordações tangíveis": qualquer objeto que guarde valor sentimental. E tudo me traz recordações: músicas, perfumes... Gosto disso. Gosto do tempo: esse "senhor tão bonito quanto a cara do meu filho". Me emociono com lembranças do passado e anseio o tão surpreendente futuro. Mas, principalmente, vivo intensamente o presente: sim, sempre em busca da plenitude. E descubro, de repente, que a criança de joelhos ralados e até a mulher de 30 anos também são parte desse agora: e porque são parte de mim.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Reflexos da (minha) Alma



Olhos fechados para melhor sentir, abri-me numa página qualquer. Incensos que acariciam o vento, vento que acaricia o rosto. Ruas de Outono. Lá fora faz silêncio e um mar de pensamentos vibra nas profundezas do meu ser. Lá fora, silêncio, e um mar de sentimentos pulsa nas profundezas do meu ser. A respiração é funda, a alma é funda, o amor também. Tanto que são quase intraduzíveis - as verdades em mim impressas. Mesmo assim, escrevo. E escrevo, principalmente, porque muito de mim é você. És a parte da qual mais gosto em mim. E esse é um presente que não cabe em molduras. Nem nesse texto. Nem em compreensões humanas. Ainda assim, escrevo. Teimosia? Não, amor.