
Fevereiro deu as caras há quase 72 horas e eu nem tive tempo de escrever sobre as cores e sabores da minha segunda-feira. Pois bem, começarei da voz familiar me acordando às 6h da madrugada. Era a voz da minha avó - uma vez que a música que escolhi como alarme do meu celular me deu ainda mais vontade de dormir. Não, mas eu não demorei a despertar - era um dia de encontros e reencontros - logo irão entender. Era o início de uma nova rotina, horários, espaços, rostos e, principalmente, novas-velhas saudades. Saudades que irrevogavelmente afirmam: Valeu a pena. Cada passo no caminho, cada minuto vivido: tudo teve um propósito tão luminoso que comprovou ainda mais a incalculável sabedoria do tempo. Mas voltemos às 6h, quando acordei com significativa disposição para o primeiro dia na nova faculdade. Acordar e estudar Letras, que delícia. Nada se compara a acordar e já fazer o que gosta - o dia começa bem e todo o resto segue nesse ritmo positivo. Somente o trânsito tem a capacidade de me cutucar o humor, mas cheguei a tempo - embora já houvessem vários bumbuns acomodados nos assentos e várias mãos ansiosas folheando cadernos em branco, quando entrei. Meus olhos disseram "Bom dia" e todos os outros me acompanharam até a cadeira que intuitivamente escolhi. Olhos curiosos - sim, os meus também são - afinal, estas serão as pessoas com as quais compartilharei todas as minhas manhãs nos dias úteis. Ah, descobri que sou a única Carol da turma - milagre! Ainda não decorei o nome de todos, mas já me sinto à vontade com eles - é isso que importa. Quadro de professores inteiramente feminino. Portanto, quadro de professoras. O pão de queijo da cantina é muito bom, mas não consigo comer sozinha. A biblioteca deles tem importantes obras rodriguianas, isso é essencial. Enfim - 11h40- hora de ir. Fecha o zíper da mochila - dá um tchau geral - corre pro ponto de ônibus - sobe no ônibus - procura o cartão - se equilibra pra não cair - tenta comer uma maçã - desce na rua tal - corre pro trabalho - dá um hello geral - corre pro banheiro - troca de roupa - respira - vai tomar um copo d'água - respira - senta na devida mesa - toca o telefone - "Cultura Inglesa, Carolina, Boa tarde!" - Ufa! - Enfim, 12h. Passa o dia. Sim, já são 18h. Agora é ir pra casa e descansar, certo? Errado. Preciso ir também ao primeiro dia de aula da minha ex-faculdade, rever os tão queridos amigos e professores. Aliás, professoras - só tem mulher também! Nossa, e quanta gente - 19h. Não encontrei ninguém da turma por enquanto. Algumas coisas mudaram - a catraca é digital, por exemplo. Mas isso é o de menos. Ao entrar, encontro uma mocinha perdida. Enquanto a acompanho até o terceiro andar do terceiro prédio, me vejo em vários pedacinhos daquele lugar. Há um ano, o espelho grandão do banheiro refletia a mesma Carol em termos de "ser-pensar-agir", mas o reflexo de hoje tem um brilho diferente, um "ser-pensar-agir" mais pleno e profundo. Enfim, caminhei até a sala de aula. A luz estava acesa, mas ainda não havia ninguém. Pensei em escrever frases em francês na lousa, como costumava fazer - mas não encontrei giz. Deitei na mesa do professor - que é mesmo muito grande - para sentir melhor a energia daquele lugar. Meu 2009 foi mesmo muito intenso - sinto que vivi dez anos em um. E não, eu não pratico o desapego. Sempre achei muito doloroso ter que abrir mão de algumas coisas por outras. Mas é assim que a alma cresce. É assim que a vida segue. Eu descobri. E com essas reflexões, levantei para aguardar os amigos que logo chegaram para novas risadas, conversas e tudo. Foram as duas últimas aulas que assisti - por enquanto - e porque voltarei sempre que bater saudade e continuarei participando da semana de letras, afinal, laços afetivos não se perdem no tempo e/ou espaço: os de verdade se tornam eternos e dispensam a tão absurda "prática do desapego". Eu descobri.

0 comentários:
Postar um comentário