Dói, rasga, dilacera. Pulsa. Ela: a saudade. Ele: o amor. Eu: a obsessão. Gosto disso. Na verdade, gosto de profundidades: almas fundas, amores fundos e até dores fundas, por que não? E não me refiro à dores físicas: mas dores da alma (que às vezes doem quase que fisicamente). Confesso que adoro uma pitada de masoquismo. Por exemplo: você precisa urgentemente aliviar as dores da alma e acha que a melhor solução é desabafar com as amigas e/ou "dar umas voltinhas" com as mesmas para se distrair? Doce engano. Logo você descobrirá que os pensamentos suicidas não te abandonaram e estão logo ali, no seu quarto - deitados na sua cama. Você descobre, então, que a melhor saída é curtir a fossa. Isso, você descobriu! Agora sorria para seus familiares como se tudo não pudesse estar melhor e se tranque num lugar onde ninguém a interrompa, de preferência seu quarto. Sofro mais e melhor quando não compartilho com ninguém essa dor. De antemão, coloque aquela música que tanto te deprime. Em seguida, fique nua. Sim, se liberte de tudo o que for externo a você. Tudo o que precisas agora é colocar pra fora: inclusive as roupas - até porque elas guardam energia própria. Descubra o perfume daquele pelo qual você sofre e impregne-se dele. Procure também uma foto do mesmo e beije-o, beije-o muito. Ou simplesmente contemple-o. Isso aumenta a dor e a saudade. Não beba. Não será a bebida que expulsará as idéias suicidas de cima da sua cama. Procure um espelho, de preferência grande. Olhe no mais fundo dos próprios olhos, até que tudo fique embaçado: e porque águas inundam esse infinito reluzente. Apague a luz, mas não fique às cegas: deixe ao menos um abajur aceso. Agora, pense em tudo o que te causa esse vácuo imenso e chore. Chore muito. Um choro que lave a alma, levando embora um pouco dessa dor quase palpável. Caia sobre os joelhos e deixe que transborde o pranto. Mergulhe a cabeça no travesseiro e grite. Grite muito. Um grito que extravase a alma, levando embora um pouco desse desespero quase desumano. Às vezes é preciso desmoronarmos para depois reconstruirmo-nos. E toda essa "fossa" pode ser o bisturi que, embora rasgue, faz toda a diferença numa cirurgia onde um problema é extirpado. Mas sim, há uma hora em que devemos/precisamos enxugar as lágrimas. Então vá lavar o rosto e caminhar na represa - já que não temos praia (mas eu adooro nossa represa!) - respirando e absorvendo toda aquela energia bucólica, que revitaliza. Faz bem. Só não esqueça de se vestir novamente antes de sair de casa, pois a lei ainda não permite que caminhemos nus (ou seja, verdadeiramente livres) pelas ruas. Uma pena! Amo a liberdade e não vejo libidinosidade alguma nessa minha sugestão. (pausa irônica) Mas esse é um assunto pra ooutro post. E quanto a curtir fossa, confesso que nem sempre é a melhor saída. Às vezes, a solução é escrever.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
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