Aquieta-te as mãos. Não a procure. Não, não revire essa bagunça. O vento levará as folhas secas. Deixe-a ir. Não se desespere, espere. Espere a primavera. Deixe o Sol entrar. Desgrude da parede o rosto emoldurado, desgrude dos lençóis o perfume impregnado, desgrude da pele as carícias de outrora, mande tudo embora, enxugue dos lábios o nome dela. Enxugue dos lábios os beijos dela. Enxugue o vermelho que, por ela, seu coração sangrou. Por favor, não chore. Nem deixe a porta entreaberta. Não a espere. Espere a primavera. O tempo cura a saudade.
Não, não a procure em todos os rostos. Não a ouça em todo canto.
Não a procure ao acordar ou dormir, aquieta-te as mãos. Você não sabe, mas eu sempre as seguro.
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Vamos, dê-me sua mão.Venha, vamos procurá-la. Não, não podemos deixar essa bagunça. É preciso varrer as folhas secas que o vento não levou. Não espere a primavera, não a deixe ir, se desespere, não espere ela partir. As paredes estão nuas: onde estão os quadros? Sua cama está nua: o lençol perfumado, cadê? Eu estou nu e me acaricio com as mãos dela. Meus lábios balbuciam seu nome. Meus lábios procuram seus beijos. Por ela, meu coração pulsa. Por ela, meu coração chora. Minha porta está ali, entreaberta. Eu a espero. Desde a primavera. O tempo aumenta a saudade.
Sim, ela está em todos os rostos e em todas as vozes. Em todas as primaveras.
Vamos, dê-me sua mão. Viu só como ela está aqui? Você não sabe, mas ela sempre esteve.


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