PLAFT! - Quem te mandou inventar essa história?
No chão, um mar repugnante de papéis picados - tanto que nem o vento quer levar.
PLAFT! - Deste livro, não suporto o título, a cor, a textura e, principalmente, o conteúdo.
No chão, ela engole os resquícios dessa história medíocre. Dentro dela, os papéis apodrecem. A "história" apodrece. Ela apodrece. A-bo-mi-na-vel-men-te apodrece e desce e cai e escorrega nas profundezas sujas como sua existência. Sombra, escorregue para qualquer lugar longe de mim, de nós e das partes boas do mundo. Contente-se em estragar seu mundo, escorra-se do meu. Eu não te quero aqui. Não te quero em parte alguma. Pare, pare de me observar com esses olhos fundos e vazados. Pare de se fingir de Sol pra dizer que transcende. Pra dizer que é amor. Você é sombra, escuridão que paira(va) nas partes boas do mundo pra derramar sua sujeira. Fantasma dissimulado de mãos mal-acabadas, rasgue-se, despregue-se, descole-se, recorte-se de mim, de nós e do mundo inteiro.
PLAFT! - Ela ainda tentou cuspir alguma coisa, mas engasgou-se com a própria podridão.
No chão, ela não está vestida. Nem nua. Ela não tem forma: é só sombra. Mesmo assim:
PLAFT! - Ela não tem rosto, mas a literatura insiste em esbofeteá-la para vomitar meu desprezo pelas partes ruins do mundo. Por isso, jogo agora a última pá de terra nesse mal-estar todo. É preciso tampar todas as frestas pelas quais essa escuridão tente passar. Tamparei com meu amor. Porém, se as mãos mal-acabadas ressurgirem das terras - que, assim como o vento, teve asco - talvez o fogo se manifeste e aqueça sua existência equivocada, limpando o mundo do mais ínfimo resquício que tente resistir.


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