sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ame.



Hoje, 29-01... Creio que é a última vez que escrevo neste mês de janeiro. Não, isso não quer dizer nada. Mas é que lembrando janeiro, recordo-me da forma inefável como meu 2010 surgiu. Sim, eu sei que todo ano traz consigo uma energia e um brilho todo especial, mas é que ultimamente tenho reparado melhor nas mudanças pelas quais minha vida tem passado de um outono para o outro. Em termos de voz interior, por exemplo - vozes que se renovam e ME renovam ao despertar de cada dia, orientando-me sempre às melhores escolhas e decisões. Sinto que  permaneço firme na travessia - enquanto muitas águas rolam por baixo da minha ponte. A verdade é que eu não lamento se algum vendaval quiser desequilibrar meus passos na tentativa de que eu pare no meio do caminho ou até mesmo volte o pedaço que já andei. Alguns tentaram, mas em vão. Não reparo negatividades. Reparo somente coisas boas. Reparo na riqueza do "aprender", do "descobrir", do "encontrar", do "construir, do "realizar". E reparo, principalmente, na riqueza do "amar". A voz do amor é sempre a que melhor conduz. É o amor pela vida que a faz ser bela. É o amor por nós mesmos que permite que a nossa beleza se mostre e transcenda. É o amor pelo próximo que nos faz ver o quanto aquela alma é linda e o quanto a nossa também se engrandece com esse amor. É o amor por Deus que nos permite sentir o quanto ele nos ama infinitamente. Enfim, é o AMOR que guia os meus passos. Sempre. Amor que transforma em brisa qualquer vendaval que me quiser levar.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cor de amor(a)


Cor de amora era a boca
dela
Cor de amor era aquela
boca
Amora que gosta o beijo
Amor que o permite

Mas quem disse que o beijo
é de amora?
Quem disse que é amora
a cor do batom?
Seu beijo tem gosto de amor
que tem gosto
dela
que tem gosto
dele
E seu batom é cor de
boca
que tem cor de maçã mordida
e ponto.

Mordidos ficam os lábios
Enquanto ela espera
ansiosa por vê-lo
Mordidos (e mais ainda) continuam os lábios
Quando ele chega
ansioso por ela

E então esses lábios derramam
Um monte de beijos e
frases de amor
Que percorrem


corpo


           e alma


e cama


             e sonho




e céu

             
  e fim.


Esse é o melhor sabor: eles descobriram, enfim!


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ele, o meu amor


De tão singular
torna-se intraduzível aquele olhar
Em termos de intensidade
Em termos de verdade
Em termos de amor

De tão lindo
torna-se inenarrável o que ele me causa
Em termos de plenitude
Em termos de saudade
Em termos de amar

E de tanto amá-lo
torna-se dele o meu coração
Em termos de entrega
Em termos de eternidade
Em termos de destino

E em termos de tudo o que é alma
a minha se ilumina quando com ele
Na descoberta de uma felicidade
que só a gente sabe se dar

E porque sua mão me leva
sempre e cada vez mais
ao mais lindo dos romances
Em termos de sonho


quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Dar não é fazer amor - Luis Fernando Veríssimo


"Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar...
Experimente ser amado..."

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Veríssimo arrasa mesmo!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Caliente




Quente, tudo MUITO quente. Quente o meu quarto, o portão, o asfalto. Quente a cidade, os carros, o ar. Respiremos o calor: ele, que insuportavelmente vai derretendo minha simpatia pelo verão – a estação luminosa! Apreço mesmo eu tenho pelo inverno – a estação elegante! Mesmo congelando, por este minha simpatia não esfria. O verão já está dentro de mim - quente é minha alma e coração - e eu não preciso que ele frite os lindos fios dos meus cabelos, nem me deixe marcas de alças pelo corpo, nem me cause câncer de pele. Isso porque protetor solar fator 500 não bloqueia os males do calor rio-pretense: Deus do céu! Calor é bom pra quem mora no Rio, embora aquela cidade já seja iluminada - sempre e em qualquer estação. Ah, sem falar nos milhares de pernilongos que se manifestam (e ME infestam) nessa época do ano e encontram no meu sangue doce o banquete que pediram a Deus. Sem contar também esse horário de VERÃO que prolonga interminavelmente essa tortura e torna ainda mais curta minha noite tão amada e esperada. Preciso de água, MUITA água - e não só pra beber: pra me enfiar debaixo. Não, não tenho piscina - nem banheira - em casa. Mas se eu tivesse, teria que ser na sombra - de nada adianta o corpo todo feliz e a cabeça lá, torrando. Mas enfim, deixemos isso. A vida é bela e sobreviveremos. Espero!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Profundidades - (breve) ensaio sobre a fossa

Dói, rasga, dilacera. Pulsa. Ela: a saudade. Ele: o amor. Eu: a obsessão. Gosto disso. Na verdade, gosto de profundidades: almas fundas, amores fundos e até dores fundas, por que não? E não me refiro à dores físicas: mas dores da alma (que às vezes doem quase que fisicamente). Confesso que adoro uma pitada de masoquismo. Por exemplo: você precisa urgentemente aliviar as dores da alma e acha que a melhor solução é desabafar com as amigas e/ou "dar umas voltinhas" com as mesmas para se distrair? Doce engano. Logo você descobrirá que os pensamentos suicidas não te abandonaram e estão logo ali, no seu quarto - deitados na sua cama. Você descobre, então, que a melhor saída é curtir a fossa. Isso, você descobriu! Agora sorria para seus familiares como se tudo não pudesse estar melhor e se tranque num lugar onde ninguém a interrompa, de preferência seu quarto. Sofro mais e melhor quando não compartilho com ninguém essa dor. De antemão, coloque aquela música que tanto te deprime. Em seguida, fique nua. Sim, se liberte de tudo o que for externo a você. Tudo o que precisas agora é colocar pra fora: inclusive as roupas - até porque elas guardam energia própria. Descubra o perfume daquele pelo qual você sofre e impregne-se dele. Procure também uma foto do mesmo e beije-o, beije-o muito. Ou simplesmente contemple-o. Isso aumenta a dor e a saudade. Não beba. Não será a bebida que expulsará as idéias suicidas de cima da sua cama. Procure um espelho, de preferência grande. Olhe no mais fundo dos próprios olhos, até que tudo fique embaçado: e porque águas inundam esse infinito reluzente. Apague a luz, mas não fique às cegas: deixe ao menos um abajur aceso. Agora, pense em tudo o que te causa esse vácuo imenso e chore. Chore muito. Um choro que lave a alma, levando embora um pouco dessa dor quase palpável. Caia sobre os joelhos e deixe que transborde o pranto. Mergulhe a cabeça no travesseiro e grite. Grite muito. Um grito que extravase a alma, levando embora um pouco desse desespero quase desumano. Às vezes é preciso desmoronarmos para depois reconstruirmo-nos. E toda essa "fossa" pode ser o bisturi que, embora rasgue, faz toda a diferença numa cirurgia onde um problema é extirpado. Mas sim, há uma hora em que devemos/precisamos enxugar as lágrimas. Então vá lavar o rosto e caminhar na represa - já que não temos praia (mas eu adooro nossa represa!) - respirando e absorvendo toda aquela energia bucólica, que revitaliza. Faz bem. Só não esqueça de se vestir novamente antes de sair de casa, pois a lei ainda não permite que caminhemos nus (ou seja, verdadeiramente livres) pelas ruas. Uma pena! Amo a liberdade e não vejo libidinosidade alguma nessa minha sugestão. (pausa irônica) Mas esse é um assunto pra ooutro post. E quanto a curtir fossa, confesso que nem sempre é a melhor saída. Às vezes, a solução é escrever.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Retratos e Rabiscos

      Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo,  e  esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
[Fernando Pessoa]



"Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia..." Pois é. Por isso essa letra me incomoda tanto: porque essa verdade me incomoda. A verdade de que "tudo passa, tudo sempre passará..." Gostaria eu que só as coisas ruins passassem. Aliás, queria ter um controle mágico que me transportasse, vez ou outra, àqueles momentos dos quais sinto tanta falta. Momentos que estão lá: dispersos num passado cada vez mais distante. Acontece que tenho saudade de tudo e a todo instante. Saudade do que aconteceu ontem e até do que eu ainda nem vivi. Isso porque tanto quanto saudosista, sou ansiosa. Anseio novas etapas, fases, experiências, vínculos, encontros, situações. Entretanto, amo demais minha atual fase e as pessoas com as quais convivo atualmente, entre outros. Gosto de extremidades: sinto falta daquela criança de joelhos ralados que comia dúzias de Kinder Ovo e dançava a Macarena, mas anseio a mulher de 30 anos com a qual o(s) filho(s) se parecerá (ão) tanto, será?! Anseio meu curso superior de Arte Dramática, mas sinto uma super falta do meu primeiro ano de Letras. Também gosto daqueles lugares que guardam um pouco de mim e/ou de alguém que amo: a casa na qual passei minha infância, a escola na qual passei minha infância, o palco onde apresentei o primeiro "exercício teatral" dirigido profissionalmente. Acredito que todos os momentos  ficam impressos dentro de nós e nos lugares onde foram vivenciados. Eu sinto essa energia. Também amo "recordações tangíveis": qualquer objeto que guarde valor sentimental. E tudo me traz recordações: músicas, perfumes... Gosto disso. Gosto do tempo: esse "senhor tão bonito quanto a cara do meu filho". Me emociono com lembranças do passado e anseio o tão surpreendente futuro. Mas, principalmente, vivo intensamente o presente: sim, sempre em busca da plenitude. E descubro, de repente, que a criança de joelhos ralados e até a mulher de 30 anos também são parte desse agora: e porque são parte de mim.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Reflexos da (minha) Alma



Olhos fechados para melhor sentir, abri-me numa página qualquer. Incensos que acariciam o vento, vento que acaricia o rosto. Ruas de Outono. Lá fora faz silêncio e um mar de pensamentos vibra nas profundezas do meu ser. Lá fora, silêncio, e um mar de sentimentos pulsa nas profundezas do meu ser. A respiração é funda, a alma é funda, o amor também. Tanto que são quase intraduzíveis - as verdades em mim impressas. Mesmo assim, escrevo. E escrevo, principalmente, porque muito de mim é você. És a parte da qual mais gosto em mim. E esse é um presente que não cabe em molduras. Nem nesse texto. Nem em compreensões humanas. Ainda assim, escrevo. Teimosia? Não, amor.