Meus lábios o tocam, ele
não me beija. Minhas mãos o tocam, ele não corresponde. Meu corpo o toca, o dele não reage. Meu olhar o penetra, mas ele não. Minhas lágrimas o tocam, ele não
se comove. Minha voz esperneia, ele silencia. Minha saudade dói, ele não
se importa. Minha alma o chama, ele estagna. Meu desespero é maior que tudo,
ele ignora. Eu vou embora, ele fecha a porta. Meu carro está em alta velocidade, ele já está dormindo. O acidente é
grave, ele sonha comigo. O resgate chega, ele vira de posição na cama. O médico
me pede um número de telefone, eu digo o dele. O médico telefona, ele acorda.
Dizem para ele ir ao hospital, ele não consegue responder. Eu insisto para
deixarem-me vê-lo, os médicos se sensibilizam. Ele chega correndo, eu o espero
com aquela felicidade que só sinto quando o vejo. Ele beija minha testa e suas
lágrimas escorrem até meus lábios. Um choro desesperado, uma vontade de acordar
daquele pesadelo. Eu digo que o amo mais que tudo, ele se ajoelha e apóia a cabeça
em minhas mãos, beijando-as entre lágrimas. Ele diz que me ama com toda a verdade de seu ser, eu durmo. Ele
beija meus lábios, toca as minhas mãos, tenta encontrar meus olhos. Enquanto
isso, meu coração desacelera, minha respiração finda e meus olhos se fecham
para sempre. Eu dormi, dormi profundamente, meu amor. Dormi para nunca mais
acordar, mas eu te amo pra sempre. Mais que tudo.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
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1 comentários:
Triste, mas muito bonito!
Mesmo sem escrever aqui há bastante tempo, você não perde a sensibilidade e o dom.
Te amo muito, meu amor!
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