Não, isso não é uma lágrima. Não é água, sal e só. O que minha alma derrama não se nomeia. Nem tem por quê. O que minha alma derrama sequer existe fora de nós. Essa substância tão minha concentra o peso dos oceanos todos. Você não entenderia. Não, não é de sal. Nem é doce. Não tem gosto. Não tem cor. Na verdade, essa substância é imaginária. Não, não existe. Nem dentro de nós. Não existe dentro de nós, e porque eu não existo. Não mais existo para você. Talvez em você, mas não para você. Sendo assim, esqueça tudo o que escrevi antes. Só quero desfazer sua impressão de que isso é uma lágrima. Eu juro que não é. E se for mesmo, não é minha. Estou dizendo, minha não é. E se for minha, você confundiu meu rosto. Essa não sou eu. Eu não estou aqui. E se estivesse, eu não teria rosto. Não para você. Eu sou a substância imaginária que você criou. Mas como, se eu te criei primeiro? Você sabe que não existe. Talvez para mim, mas não em mim. Acho que cometemos um grande erro. Você pensou que eu não existia e que minha luz era imaginária, quando na verdade eu acreditava na sua verdade, na sua luz. Eu te iluminava. Sim, eu existo. Minha luz é real. Eu só estava tentando disfarçar a lágrima. E porque nela, tem a dor da sua inexistência. Você era o ser imaginário. Você desapareceu e deu lugar a um ser tão real quanto sem luz. Mas esqueça isso. Esqueça até esse texto. Na verdade, não fui eu quem o escrevi. Acho que você está imaginando coisas. Como escreveria, se eu não te conheço? Preciso ir. Não, não posso levar-te. Talvez como uma brisa suave, que acaricia-me o rosto e me lembra, vez ou outra, do amor que inventei.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Assinar:
Postar comentários (Atom)


1 comentários:
tão lindo ^^
Postar um comentário