sexta-feira, 27 de abril de 2012

A MENINA VELHA





Palavras enrugadas
Es
correm
no amarelo do papel
esquecido
numa gaveta
                             qualquer.

Palavras de um outono tão

                             distante

ainda ecoam na mente cansada
de tanto
(ator)
mentar
-se.

O tempo passou
e
as palavras envelheceram dentro do envelope lacrado com  a saliva daquele que a
amou.

“Te amo com todo o sangue que pulsa dentro de mim. Te amo com todo o vermelho que sangra dentro e fora de mim.”

Palavras desbotadas e desafinadas e derramadas no corpo do papel
escorrem dos olhos da menina que as reencontrou.

Mãos enrugadas escondem o rosto cansado
de tanto
sorrir, enquanto as palavras, o sangue e a saudade escorriam do lado de dentro.

Chegou o outono. O espelho reflete o rosto enrugado. Ainda é amor.