domingo, 31 de outubro de 2010

Era uma vez.


Era aquele olhar que eu buscava. Sempre (me) busquei. Olhos, sempre amei. Amo o que são, o que trazem e o que revelam, eles, os olhos, essência, verdade e por que não fazer uso do velho clichê: janelas da alma. Teus olhos revelam-me teus sentimentos, estado de espírito, estado de graça, estadodeestar comigo. Teus olhos são espelho, reflexo, lugar.
EUVOCÊ

Um dia, porém, tudo mudou. Eles (me) mudaram. Seus olhos, cadê? Não, não mudaram de cor. Perderam a cor: tornaram-se opacos. Não, já não me iluminam. A luz cedeu lugar ao vazio. Eles, teus olhos, já não me trazem vida: tornam difícil respirar. E o meu espelho, cadê? Quebrou-se. Não, já não me encontro em você. Meus olhos, cadê? Está tudo tão distante. Distantedeestar comigo. Teus olhos eram espelho, reflexo e lugar.

EU

Ficaram pesados. Sabiam até mentir, teus olhos. Mas, por amá-los, perdoava-os. Ficaram ainda mais pesados e cada vez mais se diminuíam e me diminuíam e se acabavam e me acabavam. Teus olhos se fecharam para mim. Não me reconheceram. E o amor, cadê? Cada vez mais se e me e nos entristecia. Há coisas que desabrocham e se findam no mesmo lugar. Eis nossa história. Fizemos o mesmo caminho, mas desta vez eu não reparava no quanto suas mãos eram bonitas. Desta vez, nem aquele cenário bucólico onde tudo começou e terminou era bonito. O beijo não era doce: era de despedida. E eu percebi que a mesma voz que conforta, machuca. O mesmo abraço que acalenta, abandona. O mesmo olhar que te ama, admira e acompanha, dilacera. Morre, tudo morre. Como diz o poeta: “a mesma mão que afaga, apedreja". Sim, tuas mãos estavam frias. Aquela mesma mão que pegou na minha para guiar meus passos e me levar, mudou o caminho. E os momentos alegres, mágicos e plenos que juntos vivemos foram esmagados naquela tarde e naquela mentira e naquele cenário bucólico onde ainda estamos. Sim, estamos. E porque, na verdade, seus olhos sempre viveram em mim.

                                               LIBERDADE DESTINO

sábado, 16 de outubro de 2010

Vem andar comigo...


E porque hoje eu acordei, me olhei no espelho e me reconheci. Hoje eu reencontrei o mundo do qual havia me esquecido. Hoje eu reencontrei meus sonhos. Hoje eu senti de novo o gosto doce e alegre da vida e da alma, minha vida, minha alma. Hoje eu reencontrei a paz, a luz e o sorriso que me roubara. Hoje eu me libertei.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Reparando você.


Você se aproxima e eu reparo na cor da sua camiseta. Eu amo todas as suas cores, mas a vermelha é tão você. Sua camiseta vermelha continua sangrando em mim. É gostoso. Ela me seduz e me tortura e morde e sangra essa língua que, não podendo dizer, se cala. Você se aproxima e eu me lembro de como amo o teu jeito de andar.  Como diria Djavan: Tudo é tão meu, quando você vem se chegando de um modo só seu. Sim, você se aproxima e eu vou reparando e lembrando e amando e reafirmando esse amor. Você vem chegando e agora eu já me vejo ali, refletida no teu olhar, o meu lugar. Seus olhos se aproximam, aos poucos, até os meus se fecharem para poder vê-los e senti-los e amá-los melhor. Fecho os meus olhos e reparo no conforto do teu abraço, na graça, luz e leveza dos teus movimentos, que me levam. Reparo nesse teu perfume e em tudo que o não sei dizer. Só sentir. Você diz algo e reparo, então, na flexibilidade da sua boca macia e que eu amo. Eu amo brincar nos teus contornos e amo também quando o vento movimenta o teu cabelo. Amo as tuas mãos, embora eu não saiba o que fazer com as minhas quando estou com você. Você se aproxima e tudo acontece. Você existe.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Só quem sabe...

... do meu amor poderá entender essa dor. Dor que aperta e sufoca e rasga a garganta, como engolir uma faca que vai parar no coração. Doem os olhos, que se fecham, pra poder olhar lá dentro e ver que tudo dói, tudo.


 Doloridas lágrimas que queimam a face, rolando, carregadas, dilaceram, até molhar um pouco dessa boca seca de dor.