segunda-feira, 6 de junho de 2011

DES construção

Nosso amor quer florescer: porque o pulso ainda pulsa. Por isso, quando você borra o meu batom e diz que ainda me ama, eu também te amo. Porém, quando os fatos do passado assombram minha mente já cansada de tanto lembrar, eu finjo que te odeio. Não odeio, entretanto, gosto de pensar o contrário: porque a verdade é que quando te abraço, respiro o teu perfume. Quando sua pele me chama, eu também me entrego. Quando nossas bocas desconversam e dizem coisas banais, nosso olhar conversa profundamente. Quando você repara nos traços do meu rosto ou no contorno das minhas mãos, eu finjo que não percebo. Quando você parte, eu finjo que não dói. E porque quando te tenho, te quero ainda mais. Você existe, sim. E eu, embora tente me esquecer disso, ouço a música dizendo que é pra sempre.

E o pra sempre é sempre por um triz...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Conversando com Deus

Paz é como caminhar sozinha aos pés do mar, sentindo a brisa no rosto, ouvindo o som das águas e respirando fundo. Paz é entrar em sintonia com a espiritualidade amiga e essa prece me conduz a Deus. Senhor, obrigada por toda a luz que sinto dentro e ao redor de mim. Agradeço por sentir tão forte sua existência e, mais que isso, sua presença em todos os momentos. Obrigada pela minha saúde física e metal e pela sensibilidade que me permite enxergar com clareza a beleza de tudo que existe. Obrigada pelo dom da arte, que enobrece a mim e ao mundo. Obrigada pela família que me acompanha nessa encarnação e pelos amigos que são um dos melhores presentes que alguém pode ter. Obrigada pelo meu trabalho e por todas as oportunidades, encontros, sorrisos e surpresas. Irradio muito amor e muita paz a quase todos, sei que cada um está em seu degrau de evolução e eu desejo compreender cada vez mais o outro. Desejo que o Senhor me oriente a respeito de algumas decisões a serem tomadas e que se desfaçam alguns nós de minha mente. Que meu coração aprenda a lidar com perdas. Sei que tudo é uma questão de tempo e na hora certa tudo acontece. Se não acontecer, é porque foi melhor assim – e passamos a compreender isso. Quanto mais a vida passa, mais me impressiono com a grandeza e sabedoria divina. Eu te amo. Obrigada, Senhor, pelo privilégio e o merecimento de estar aqui – Sei que estou destinada a coisas boas: e porque o Senhor me leva, sempre. Isso é plenitude. Sou infinitamente grata por tudo. E que assim seja.


Carol.



ARTE: VIDA

Encontre a porta secreta - onde pulsa a felicidade - as agonias se dissipam - toda loucura é lúcida ou todo o insano é normalidade ou toda normalidade é sempre um pouco louca - transcenda - sonhos não cabem em molduras, livres eles saem, livres eles voam, livres eles buscam - se liberte - destino - o inefável - encontre a porta secreta - o mais profundo de si.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

A um passante



A saia branca que guardava a virgindade da garota de lábios doces ainda está aqui: limpa e pura.

Era uma noite chuvosa e ela beijou o canto da boca do rapaz, como sempre fazia ao se despedir. De repente, o beijo. Surpreendeu-se ao sentir sua língua dançando na boca do outro: as bocas se buscavam e as almas também. Assustou-se. Entreolharam-se. Ao deixa-lo, sentia ainda vivo o beijo em sua boca.

Era um dia de Sol. Pôr-do-sol. A brisa acariciava os cachos de seus cabelos: em cada cacho um mistério. Brisa suave, leve como as mãos do menino de carícias ternas e delicadas. Macias eram as mãos, a brisa e o beijo. O segundo beijo tinha gosto de chiclete de menta, o terceiro de manteiga de cacau e os últimos tinham o gosto dele mesmo. Ele disse: "Olhar intenso, o seu". O olhar dela respondeu, sorrindo: "Os seus também”.

Era um dia de festa: Réveillon. Não, a saia branca já não escondia virgindade alguma. Sentiu, então, que vivera sempre à espera daquele momento.

Tempo. Des/encontros. Tempo.

Era um sábado. Ele passou por mim. Um passante, meu Deus. O que fizemos de nós?

Silêncio.

É um dia normal. Certa melodia distrai a menina de beijo doce. Esboça um sorriso triste. Ainda é amor.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Dolce


Chiclete é coisa engraçada. Chiclete é coisa que acaba sem acabar: continua existindo, mas perde o gosto bom. Senti com a língua a ausência do doce. Eis que meu chiclete se desgastou e me entristeceu vê-lo assim: sem gosto, sem cor, sem reagir à minha saliva quente, minha língua vermelha, macia e flexível. Para não perdê-lo, tive de engoli-lo. O chiclete mergulhou em mim e foi parar dentro do peito. Queria tê-lo assim, pra sempre, mas precisava limpar meu coração. Vomitei-o. Responda-me, mãe, existe chiclete que nunca acaba?

Existe. Mas é raridade. O chiclete só não acaba quando é muito forte. Chiclete resistente é aquele capaz de se transformar numa bola enorme: do seu tamanho. Quando meu avô também era neto, morou nessa casa. Era o coração da minha avó.

Experimentei soprar o meu chiclete sem vida. Soprei, soprei, soprei e quando fui morar nele SPLASH! A goma estourou e se espalhou e grudou em tudo o que meu espelho refletia. Prendeu-me. Chorei.

Responda-me, mãe, existe chiclete do avesso? Sim, do avesso.

Existe. E ele se torna cada vez mais doce. Doce como o seu coração.

Sim, mamãe, eu o amava.

I - mundo


coisas e cacos e quadros
pintados: meus lábios
impressos
recortes de uma vida inteira:
mentira
perfumes mortos nos panos que nos cantos repousam
coisas mergulhadas no silêncio empoeirado

abandono

sobras e sombras me
assombram
como o grito que sufoquei
como
grito
e passo a conviver sem
viver

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O anel que tu me deste.



Cuidado! Está vivo, ainda. Não, não o toque. Observe, apenas. Observe, em silêncio, a verdade desse objeto tão nosso e, ao mesmo tempo, tão deserto de nós.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Angústia


Repare em você na foto. Sim, você. E aqueles olhos, cadê? Penso em seus olhos e misturo acontecimentos, lembranças, sentimentos, vontades. Tudo se confunde, tudo me confunde. Já não grito: silencio. Fecho meus olhos. Fecho os seus olhos. NÃO! Não durma, por favor. Eu te amo. Muito. Mas é que tudo está tão dentro e tão fora de mim. Reviro na cama, reviro em mim mesma, reviro-te para procurar esses olhos que amei. Onde estão, afinal? Meu lençol está molhado, serão lágrimas ou suor? NÃO! Não mais. Eu até queria acreditar nesse sorriso que amei, nessas mãos que beijei, nesses sonhos que nutri, nesse olhar que tento reconhecer. Repare bem dentro do seu coração. Sim, aquele no qual eu morava. E aquele amor, cadê?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Fly away from here


Não, isso não é uma lágrima. Não é água, sal e só. O que minha alma derrama não se nomeia. Nem tem por quê. O que minha alma derrama sequer existe fora de nós. Essa substância tão minha concentra o peso dos oceanos todos. Você não entenderia. Não, não é de sal. Nem é doce. Não tem gosto. Não tem cor. Na verdade, essa substância é imaginária. Não, não existe. Nem dentro de nós. Não existe dentro de nós, e porque eu não existo. Não mais existo para você. Talvez em você, mas não para você. Sendo assim, esqueça tudo o que escrevi antes. Só quero desfazer sua impressão de que isso é uma lágrima. Eu juro que não é. E se for mesmo, não é minha. Estou dizendo, minha não é. E se for minha, você confundiu meu rosto. Essa não sou eu. Eu não estou aqui. E se estivesse, eu não teria rosto. Não para você. Eu sou a substância imaginária que você criou. Mas como, se eu te criei primeiro? Você sabe que não existe. Talvez para mim, mas não em mim. Acho que cometemos um grande erro. Você pensou que eu não existia e que minha luz era imaginária, quando na verdade eu acreditava na sua verdade, na sua luz. Eu te iluminava. Sim, eu existo. Minha luz é real. Eu só estava tentando disfarçar a lágrima. E porque nela, tem a dor da sua inexistência. Você era o ser imaginário. Você desapareceu e deu lugar a um ser tão real quanto sem luz. Mas esqueça isso. Esqueça até esse texto. Na verdade, não fui eu quem o escrevi. Acho que você está imaginando coisas. Como escreveria, se eu não te conheço? Preciso ir. Não, não posso levar-te. Talvez como uma brisa suave, que acaricia-me o rosto e me lembra, vez ou outra, do amor que inventei.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Anjo de Luz ou A luz de todos os Anjos?


E quando eu estava distante de tudo, distante até de mim mesma, ele me encontrou. Eu dormia no escuro, de janelas trancadas, e o Sol já não me tocava. Ele abriu a janela. Ele se mostrou Sol, mas eu ainda dormia. Ele beijou meus olhos para que se abrissem novamente. Eu despertei. Ele beijou meus lábios para que se abrissem novamente. Eu respirei. Ele cicatrizou o que doía. Ele enxugou o que minha alma chorava.  Ele enxugou o que meu peito sangrava. Ele me abraçou e aqueceu o coração que tentaram destruir. Ele tinha tanta luz que ofuscou as negatividades que entristeciam meu caminho. Ele era luz. Ele me ajudou a reencontrar o sorriso que dos meus lábios roubaram. Ele segurou minhas mãos e me puxou de volta à superfície. Ele me fortaleceu. A gente conversa com os olhos, a gente enxerga com o coração, a gente ama com a alma. A gente vive em paz. É um presente ao mundo a existência de pessoas lindas de verdade, cujo valor é infinito, pessoas maravilhosas e que eu tenho o merecimento e a alegria de encontrar pelo caminho. Deus SEMPRE me mostra o caminho. Deus me manda seus anjos!